quinta-feira, 4 de junho de 2015

O ritmo que deseja!

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Na tarde de outono com seu sobretudo cinza e seu xale vinho a garota pegou um trem em direção à praia mais distante que conseguia chegar. Seus fones de ouvidos gritavam músicas que ela mal conseguia compreender o que dizia. Um senhor se sentou ao seu lado a olhando com certo desdém, ela apenas sorriu lhe dizendo “Bom dia”. O velho torceu o nariz e ela riu.
Seus fios encaracolados estavam presos em um coque improvisado, enquanto encarava a paisagem que se passava rapidamente pela janela. O senhor se levantou e desceu na estação mais próxima. Ela se viu sozinha no vagão e sorriu pousando as pernas sobre o banco e continuando a ali viajar em sua mente.
Quando sua estação chegou ela correu em direção à praia, enquanto as pessoas, em plena segunda feira, passavam por ela e se irritavam por ela correr. A música só precisava continuar a tocar para ela não se lembrar do porquê de estar ali. Tropeçou em um homem de terno e gravata que segurava uma maleta, tal como um olhar cansado.
Ela pensou em dizer algo, mas ambos continuaram em sua correria. Começava a sentir o cheiro da brisa marítima quando avistou o mar agitado. As nuvens pareciam estar em guerra no céu lutando com raios e trovões, talvez pelo mesmo lugar. Passou por uma mulher em quiosque entretida em seu celular, e, pulou o pequeno muro que dava na areia da praia.
O vento ultrapassou seu corpo e ela arrancou os fones conseguindo ouvir seus próprios pensamentos sem ser devorada por eles. A água, junto ao vento e ao céu parecia fazer contraste com seus sentimentos, não podiam substituí-los, mas apenas fazer parte.
Ela não estava fugindo de ninguém, nem do trabalho ou de algo a sua volta, mas de si própria. Buscando apenas sentido em uma pequena aventura que para muitos não poderia ter significado, mas que para ela significava estar viva.
Não aparecia na faculdade há algumas semanas e nem queria pensar nisso. Havia ligações perdidas, tal como mensagens de seus amigos, de seus primos e até de seu namorado, mas ela só visualizava quando tirava o telefone do modo avião. A garota desejava realmente se sentir viva ou, no mínimo, disposta para responder, mas não havia sentido.
Todos os sinais de sentido de sua vida pareciam ter corrido dela, por isso precisava se sentir como parte de algo. Afinal, nada mais a ajudava, cada vez mais ela se descobria com parte de si própria, não obstante o caminho até ela mesma era confuso e complexo demais.
Seu coração lhe gritava algo insano demais para sua vida metódica seguir outros caminhos, novos, construídos por ela mesma. Longe do namoro por status, longe de estudos que ela não suportava, longe de um mundo que ela parecia não pertencer, porém sua maior dúvida era como construir uma ponte para um novo destino.
Sempre estivera tão preocupada em se encaixar e fazer parte da correria, que naquele instante, a garota percebeu que observar isso de fora, lhe mostrava o quando ela desejava se desprender de toda aquela correria. Parar de se irritar pelo básico e seguir aqueles sonhos simples que sempre temeu por estar longe das demais expectativas.

A chuva começou a desabar a ensopando dos pés à cabeça, mas ao invés de correr de novo, ao invés de seguir o ritmo de tudo a sua volta que corria para se proteger, ela ligou a música novamente e começou a pular. Seguindo o ritmo que desejava, mesmo que, isso não se encaixasse no padrão.

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