domingo, 22 de junho de 2014

Crítica: Orgulho e Preconceito



Há muito tempo atrás assisti a adaptação para as telonas de “Orgulho e Preconceito”, confesso que me apaixonei.  Tal que, durante muito tempo falei maravilhas sobre o filme, entretanto esta semana mudei de opinião. Coisa que acontece comigo, quase sempre que leio o livro que deu origem ao filme. “Percy Jackson” que o diga. Minha decepção não foi tão grande se comparado a esse, entretanto ainda fora uma decepção. Tal que, tive que assistir ao filme novamente para confirmar as diferenças.
Não conseguia acreditar que existia tanta divergência se comparado ao livro. Nesse ponto sou bem exigente, não consigo aceitar que nem mesmo falas sejam adaptadas, ora cenários, ora  retirada de personagens, ora simplesmente sua importância na história. Ainda é suave e agradável assisti-lo, afinal a adaptação teve seus toques de preciosidades. Não obstante, enquanto vi-me incomodada com a adaptação britânica de 2005 de Joe Wright. Apaixonei-me pela adaptação de 1995, uma minissérie de 6 episódios, simplesmente esplêndida, incrivelmente fiel ao livro e a cada personagem.  O diretor Andrew Davies, conseguiu jogar as páginas do livro nas gravações e fazer com que o Mr.Darcy parecesse mais esplêndido, sendo vivido por Colin Firth e a Lizzy, mais perfeita, interpretada por Jennifer Ehle – apesar de, admirar muito Keira Knightley como Lizzy -. As poucas coisas que foram adaptadas, cortadas ou adicionadas foram na medida correta.


Observação: O filme de Joe Wright não pode ser cem por cento criticado, tem suas particularidades que ainda admiro. Algumas cenas que achei esplendidas, mesmo que não estejam no livro. É um bom filme para se assistir, mas me trouxe revolta em um primeiro momento pós-livro. Os atores deixaram os personagens mais incríveis, assim como algumas cenas que imortalizaram o filme. Vale a pena assistir, mas não pode ser considerado uma “adaptação” perfeita. Muitas cenas foram cortadas, assim como personagens. Algumas informações, para quem nunca leu o livro deixa desejar. E a maneira como alguns personagens agiam eram bem duvidosas, como a de Mrs. Darcy que era para ser uma garota tímida e no filme, se demonstra extrovertida.


Quando acabei de ler a obra-prima de Jane Austen, entrei naquela famosa “depressão pós-livro” e corri para assistir e ler tudo disponível, baseado na obra. Jamais imaginei que tal livro pudesse me atrair tanto. Os personagens são bem construídos, as cenas e os capítulos, seguem um ritmo em que sempre tem algo para acontecer ou está acontecendo em algum lugar na trama, os diálogos são em sua maioria repletos de entrelinhas que com uma percepção mais atenciosa se consegue notar.
Frases marcantes, personagens fascinantes, com direito a maldade dos próprios “mocinhos” da história, mistério, trama, aflições, romance e muito mais. Orgulho e Preconceito é o típico livro que não se lê, apenas uma vez, duas e sim várias. Assistir a série ou o filme, não se compara as palavras escritas por Jane Austen.


  Para quem não conhece o livro ou conhece, fiz um pequeno comentário, mas com o objetivo de apresentar os personagens e expor minha opinião sobre os tais:


A história começa na fazenda Longbourn, no século XIX, onde vive a família Bennet. Essa é composta por um casal e mais cinco filhas: Mr.Bennet, Mrs. Bennet, Elizabeth (Lizzy), Jane, Mary, Catherine (Kitty) e Lydia. Cada personagem tem sua particularidade, como Mary que esta sempre lendo, tocando e fazendo comentários ríspidos, ora Mr. Bennet que consegue dar um ar de humor em seus diálogos, ora Mrs. Bennet que é um tanto exagerada e esta sempre fazendo comentários desnecessários e assim por diante. Essa última, esta sempre preocupada com futuro matrimonial das filhas, principalmente e pelo fato de Longbourn estar destinada a ser herdada ao Sr. Collins, um primo da família.


A trama começa mesmo com chegada de um grupo em uma grande casa da região, Netherfield, o que faz todos da sociedade local ficarem ansiosos para incluí-los em seu meio. Esse grupo é composto por figuras bem distintas e de excelente posição social, que é composta por Charles Bingley, Caroline Bingley (irmã esnobe de Charles), Mr.Hurts, Mrs. Hurts, e Fitzwilliam Darcy. Esse( Darcy) é o mais rico, dono de uma grande propriedade em Pemberley, em Derbyshire.
Solteiro, bem reservado e de certa maneira um tanto esnobe, a principio. Logo no inicio da história, enquanto Mr.Bingley encanta-se pela primogênita dos Bennet, Jane, e tentava convencer Mr. Darcy a dançar com alguma moça do salão, indicando a irmã de Jane, Lizzy Bennet. Esse afirma que essa: - É razoável, mas não suficientemente bonita para tentar-me.


Confesso que a partir daí tomei bastante interesse pelo personagem, muito mais que por qualquer um, até a chegada de George Wickham. Esse também me atraiu bastante, mas ambos de maneira divergentes, eu não conseguia compartilhar dos sentimentos de Lizzy por Darcy, no inicio, assim como pelo próprio Wickham– Tentando, dolorosamente, não dar spoilers -. Eram personagens que desde inicio eu já tinha a minha imagem pronta deles, o que não me levou ao ter grandes surpresas sobre os tais. Outro que gostei muito, foi o coronel Fitzwilliam, cujo não está na adaptação do longa e o achei incrível. Mesmo que esse pouco tenha aparecido.
Lady Catherine, foi uma personagem que eu não sabia se eu gostava ou não. O livro acabou e ainda estou tentando aderir uma opinião sobre a tal, entretanto não consegui odiá-la, ama-la ou admirá-la, ela tinha que estar no enredo, mas sua significância só se tornou relevante, pois era necessário ter algo para aproximar Lizzy e Mr. Darcy. Por fim, mesmo que esse não fosse o seu objetivo, sua relevância só veio pela ajuda totalmente involuntária ao casal, duas vezes na trama.
Acredito que Lizzy Bennet é a aquele tipo de personagem que atrai a atenção de todos. Tanto do leitor, quanto dos personagens. Sua maneira de ver a vida, de enxergar as coisas em um século em que todos tinham que seguir apenas aquele modelo “perfeito”, as mulheres tinham que ser “prendadas”, muito submissas e dificilmente podiam expor com tanta confiança suas ideias. E Lizzy conseguia com perfeição, aderir apenas o que para ela era o correto, até mesmo pela certa liberdade família que ela tinha. Até porque, quando é pedida em casamento, pelo Sr. Collins, isso é deixado bem claro. Mesmo que, seus pais a obrigassem ela não aceitaria, coisa que seu pai nunca faria. Assim como, a sua ideia fixa de que só se casaria por amor, mesmo que ficasse ela solteira, para o resto da vida, para ela o que importava era o simples fato de ser feliz. Deixava bem claro suas ideias, não importava na frente de quem, uma particularidade peculiar da personagem.


Por fim, como viram comentei apenas sobre alguns personagens que me atraíram bastante na história, outros como Mary, Kitty e Mrs. Darcy me deixaram intrigada, desejando saber mais sobre suas histórias, porém foi dito mais o básico, infelizmente. Adorei a construção de cada um, apesar de ficar imaginando o futuro de cada uma delas, o que me faz enlouquecer tentando construir em minha cabeça, o que com as tais, aconteceu.
Jane Austen conseguiu me deixar louca curiosidade. Gostaria de saber muito mais sobre cada um da história e o livro acabou deixando-me muito frustrada. Estou relendo, devorando livro, por culpa da tal da “curiosidade”. De certa maneira, o conforto veio quando descobri um livro da P.D.James em que a história se passa em Pemberley, 6 anos após o casamento de Mr.Darcy e Lizzy Darcy. "Death Comes to Pemberley". Em breve, comentarei mais sobre o livro e a adaptação da BBC.



Espero que tenham gostado, deixem seus comentários aqui em baixo.
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Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Eu tinha a mesma opinião que você em questão de livros adaptados ao filme, mas, após tentar entender um pouco sobre, entendi que são duas plataformas bem diferentes, não há como ser fiel ao livro, alguns personagens acabam sendo cortados, as cenas mudam por causa da cronologia do livro, as falas... Além disso, algumas pessoas que não gostam de ler acabam assistindo apenas o filme, e se ele talvez for tão complexo como o livro, muitas críticas surgem.
    Mas sempre dá aquela dorzinha no coração de ver que as nossas expectativas não foram atendidas quando vamos finalmente ver o filme do livro que amamos.

    http://sonhodas4estacoes.blogspot.com.br/

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    1. Pior que é mesmo. Mas, ás vezes, parece que eles queimam o livro e inventam a história! ;p
      Brigadinha
      Beijinhos Screepeer

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  2. Sou apaixonada pela Jane *.* amo cada livro dela,são tão detalhistas e narra um romance mais puro,diferente do lenga lenga dos atuais.
    Orgulho e Preconceito é o xodó do povão... é o filme mais visto e o livro mais reconhecido apesar dos outros serem do mesmo nível \o/
    Beijosss
    http://fomevontadeler.blogspot.com/

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    1. Eu também, a Jane é perfeita. Estou lendo "Persuasão" agora e me deliciando *--*
      É difícil conhecer alguém que não goste de "Orgulho e Preconceito".
      Beijinhos Screepeer

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  3. Sou apaixonada por esse filme, e resolvi ler o livro esse ano, e melhor ainda: achei ele em inglês na Saraiva, uma edição linda. Jane Austen rules!

    http://so1blogqualquer.blogspot.com.br/

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    1. Estou ansiosa para lê-lo em inglês *--*
      Beijinhos Screepeer

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