quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Morrendo por dentro


Quando eu não quero sair de casa é por cansaço de alma.Quando eu não quero ver ninguém é por vergonha. Quando eu não quero sair da cama é por desespero. Quando eu não quero me mover é por medo. Quando eu não quero socializar é porque as pessoas têm me matado aos poucos. Quando eu não quero viver é porque eu só apreendi a vagar. Não é preguiça, mas uma dor interminável que só aumenta a cada dia que passa.

Uma dor que me consome de dentro para fora. Uma dor que ninguém quer enxergar, apenas criticar as sombras na parede. Uma dor que me faz querer desaparecer todos os dias. Uma dor que a cada dia que passa a vida tem prazer de cutucar, mais e mais. Uma dor que enxerga, apenas as exigências alheias, mas só anseia paz.

Isso não é drama, eu gostaria que fosse! Como eu gostaria... É hipocrisia alheia desejar que eu consiga sorrir o tempo todo. O mundo está desabando sobre mim, mas ainda há quem olhe e não enxergue sentido em tanta dor. – Para que tanto drama? – Diz fulano. – Há situações muito piores acontecendo no mundo! – Diz sicrano. Há flechas pelo meu corpo, mas não importa. - Continue a andar, pare de reclamar e sorria!

Em um mundo onde não há muito para mim, vou sendo consumida pelo vazio. Estando perdida por entre as pessoas, enquanto finjo que vivo. Imitando seus atos quando consigo, por breves momentos, acreditar no meu papel na sociedade. Sorrindo socialmente, mas com os olhos mortos. Desejando não ter que sorrir quando isso está me torturando por dentro. Sendo julgada quando não sigo o papel me imposto.


Talvez, isso seja a vida... Uma hipocrisia! Não tendo muito para entender, apenas papéis para cumprir. Ignorar certas máscaras não é seguro, afinal a regra básica é colocá-las e vagar. Levantar mais um dia e fingir que está tudo bem. Ignorar a dor em público e torcer para que um dia ela desapareça. Levando junto todas as lágrimas e feridas abertas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Caminho


Às vezes a subida cansa. Marchamos dia após dia debaixo de um sol de quarenta graus, por diferentes guerras, levando peso demais. Há cicatrizes fechadas, abertas e cicatrizando. Lutamos. Caímos. Rezamos. Imploramos por paz, muitas das vezes jogando a tal da dignidade no lixo. No fim do dia encaramos o percurso e ainda há estrada demais. Aonde devemos chegar mesmo? Então, outra batalha se aproxima.

Eu sei, devemos confiantes. Levantar e sacudir a poeira. Dar a volta por cima. Recomeçar. Acreditar e ter esperanças. Eu sei e como sei. Hoje, foi ruim, mas amanhã tudo estará bem. Talvez, depois de amanhã. Ainda assim, às vezes só não se está bem. É um direito humano estar cansado em meio às batalhas.


A vida é assim, ora estamos bem, ora estamos à beira de colapso. Vai entender! Às vezes certas situações nos derrubam mais do que as mesmas em outro período da estrada. Mas, quando não se está realmente bem, é melhor não fingir. Fingir nos destrói aos poucos. Vai consumindo nossas forças lentamente. Aceitar, não é desistir, é tentar se entender. Só nós mesmos sabemos quando está na hora de descansar e na hora de seguir em frente.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Apreendi a me amar

love yorself

Por muito tempo vivi a sombra do que gostaria de ser. Gostaria de ser mais baixa. Gostaria de ter características da beleza valorizadas pela sociedade. Gostaria de ser menos desastrada. Gostaria de ser a garota por quem sempre sou trocada. Gostaria de não ser eu.

Isso por tantas e outras vezes. Sofrendo mais por não me aceitar do que pelos tombos que dava. Tendo sempre que me levantar duas vezes, tudo por que apreendi a ter vergonha de quem sou. Muitas pessoas eu já deixei ir, apenas por eu não acreditar que poderia ser amada, pois por vezes me joguei como secundária.

Escondendo-me por baixo de lamentos causados pelos próprios julgamentos que impunha sobre mim mesma. Tentando me encaixar e ser mais como qualquer outra pessoa, considerada, superior. Quando olho para este antigo eu, que tanto açoitava a si mesmo por não ser. Lembro também de todo o processo de aceitação que passei e ainda passo, muitas das vezes.

Repetindo diversas frases de aceitação que por muitas vezes chorei por não conseguir acreditar. Você consegue – Repetia antes de sair de casa, às vezes me abraçando, enquanto sentia as lágrimas rolarem e sabendo que teria que enfrentar mais um dia. Você é perfeita a sua maneira! – Eu repetia caminhando em meio às pessoas, apenas desejando me esconder.

Se tem algo que o tempo e a proximidade com as pessoas que amo me ajudou foi a amar a mim mesma cada vez mais, a cada dia. Pois, eles me mostraram que sou especial até o instante que consegui, realmente, me enxergar muito além da construção que fazia de mim mesma. Ainda mostram, mas hoje percebo que o que sempre precisei foi de uma afirmação interna e não, apenas externa.

É estranho pensar que eu apreendi a me amar. Apreendi a me entender. Apreendi ainda a amar até mesmo o que resto do mundo julga em mim. Entendi que nunca quis ser outra pessoa, apenas eu com todos meus defeitos e qualidades que me tornam única. Se amar não tem nada haver com diminuir o outro, mas conseguir enxergar a si mesmo.


Se eu pudesse conversar com o meu eu do passado eu lhe diria para sorrir e ser quem quiser ser. Não se importe com o que o mundo considera perfeito, apenas se importe em ser feliz. Levante a cabeça, sacuda a poeira e se ame. Não precisa ser nada do que ditam a você, apenas o que deseja ser.

domingo, 11 de setembro de 2016

Monotonia inquieta



Já faz um bom tempo que não sei expressar esta inquietude. Ando perdida quanto ao meu gosto musical. Poucos livros têm prendido minha atenção. Não sei sobre o que escrever. Está faltando algo aqui dentro, mas não sei dizer o que é. Apenas, sei que roubou minha inspiração.

Até mesmo aqueles programas TV que tanto me agradavam perderam a graça. Tenho me forçado a tentar assisti-los, mas na realidade só quero desligar tudo. Não há muito sobre o que refletir. Então, apenas me resta a monotonia inquieta do dia.

Não sei bem pelo o que espero, mas sei que meu subconsciente está sempre esperando por algo. Sempre ansiosa para chegar a algum lugar, e, ao chegar fico ansiosa para sair. Não faz sentido. Gostaria de compreender para no mínimo poder poetizar a situação.

É como viver em um eterno domingo, onde nada acontece e há apenas a mesma programação chata da TV aberta. Não importa o quão azulado esteja o céu, ainda é domingo e não há o que se fazer, além de saber que no dia seguinte a correria irá voltar. Ou como estar presa em um filme francês que nunca acaba.


Acho que no fim, a monotonia inquieta é o resta entre os altos e baixos da vida. É aquela linha reta. Naquelas máquinas que verificam o batimento cardíaco, quando resta apenas essa, significa que você está morto. 

domingo, 7 de agosto de 2016

Fiquem escondidos


Eu caí vezes demais e minha única certeza é que ainda há muitas quedas pelo caminho. Não tenho muita certeza se esses tombos me deixaram mais forte ou me ajudaram a esconder com mais afinco meus sentimentos. Talvez, me ensinaram a ignorá-los com mais facilidade por um tempo maior.

As lágrimas de desespero conseguem se segurar por mais tempo. Elas ficam quietinhas se acumulando junto as magoas. Vão se agarrando aos longos suspiros, até mesmo os sorrisos entram no jogo. Até o instante em que já não dá mais para segurar, pois tem muita coisa acumulada.

Mas, só quem sabe do falo entende que isso é um problema. Só quem já segurou tudo isso por tempo demais, sabe que se deixar qualquer um desses sentimentos escaparem eles escapam juntos. Depois, para deixar tudo bem novamente é difícil, é como tentar se agarrar a pedras em meio ao oceano – boa sorte.

Quando olho o mundo a minha volta, uma das coisas que mais desejo – dentre as milhares – é que as pessoas aceitem melhor que não podemos se felizes o tempo todo e está tudo bem por isso. Ás vezes ficar aparentemente triste é melhor do que abrir um sorriso que está te abalando por dentro, pois este vai sugando o brilho do olhar.


Essa pressão para abrir o tal sorriso, apenas calou as palavras que escapavam com tanta facilidade. Hoje, apreendi a esconder a dor acumulada e a fingir que estou em pé, mesmo quando estou atirada no chão. Tenho escondido tanto que às vezes me pergunto se um dia tudo isso poderá desaparecer ou apenas me derrubar de vez.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Lost in Austen

orgulho e preconceito


Podem fazer quantas versões quiserem de Orgulho e preconceito, acabo amando cada uma delas. Sempre que encontro uma, eu corro para assistir, e, esta não decepcionou, assim como as demais. A série é de 2008, tem apenas 4 episódios. Produzida no Reino Unido e escrito por Guy Andrews inspirada na obra de Jane Austen.

Amanda Price é uma mulher do século XXI que é apaixonada por Orgulho e Preconceito. Ela vive em Hammersmith com o namorado que acaba de pedi-la em casamento e ela recusou. Certo dia ela encontra Elizabeth Bennet – a personagem principal de seu livro favorito – em seu banheiro. Elizabeth mostra uma passagem para ela que dá na propriedade de sua família em Longbourn do século XIX, e, tranca Amanda lá.

Agora, Amanda Price tem que se virar no século XIX vendo seus personagens favoritos desenrolarem suas histórias. Mas, nem tudo está se desenvolvendo como deveria e sempre que ela tenta interferir, acaba mudando as coisas.

Ela é uma personagem que representa a típica fã que acha que tudo tem que sair como no livro. Então se as coisas estão dando errado ela tem que se intrometer de alguma maneira e tentar ajeitar tudo. O que sempre piora as coisas para todo mundo. O próprio Bingley acaba se apaixonando por ela e então a confusão está feita.

Lost in Austen é muito bem produzida e com um elenco que não deixa a desejar. A série consegue ir além do universo do livro que já conhecemos e adaptá-lo de uma maneira aceitável. Claro que, tem algumas coisas que poderiam ser tratadas de uma maneira bem diferente como a reação de alguns personagens a alguma situações bem modernas para o período, mas ainda assim em um todo é uma boa série.

Os personagens são muito bem trabalhados dentro de suas personalidade originais, assim como desenvolvimento novo que cada um deles tem.

Falando dos rapazes:



Bingley: Fofo/bêbado/depressivo/ fofo de novo!


bingley

Além das diversas qualidades que o cara já tem, na série outros são explorados, enquanto as coisas não saem exatamente como o esperado.


Wickham, o cara bonzinho. 


wickham

Primeira versão que me apaixonei pelo Wickham( juro que, não é apenas pelo Tom Riley), ao contrário do que todos pensam ele é um cara legal. Isso é muito bem explorado na série.


Darcy sendo Darcy!


lost in austen

O babaca que se mostra incrivelmente apaixonante, como sempre. Não consigo odiá-lo de maneira alguma, Jane Austen criou o homem dos meus sonhos. 
Só faltou o "I love you, ardently", ser pronunciado pelo tal.



Trailer:




sábado, 18 de junho de 2016

Quero um dia sincero

textos

Hoje eu não quero vestir máscaras. Não quero ter que adotar um sorriso para agradar ou expor uma felicidade onde não há.  Não quero me arrastar para fora da cama e ser forçada a socializar. Hoje eu só um tempo para me isolar.

Não quero revirar as lembranças nos antigos álbuns de foto ou mexer na poeira da minha mente. Muito menos ir atrás do que não me quer por perto. Quero apenas fechar os olhos e dar um tempo para minha alma encontrar a paz, pois ela anda precisando tirar férias.

Quando me sentir pronta eu quero me arrastar até uma xícara de café quente e buscar na estante um bom livro. Sentir o cheiro e viajar em cada uma das páginas. Viver outra realidade durante horas, enquanto filosofo, sorrio e choro com as coisas mais simples e rica que cada palavra pode me proporcionar.

Quero pegar os fones de ouvido e apenas vagar pelas ruas sem olhar para ninguém. Apenas, caminhar ao ritmo de alguma música a se repetir diversas vezes. Não precisa fazer sentido. Precisa ser sincero, apenas isso. O que anda bem distante do a vida tem a me apresentar.


Preciso de paz. Preciso de um tempo para chorar tudo o que tenho tentado guardar, todas aquelas lágrimas que tive que engolir para ninguém notar. Preciso respirar o meu ritmo e ver sentido em meus passos. Preciso viver e não atuar.
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